- 2010-2012: “Argumentos em Torno da Gaveta: Sobre políticas afirmativas de gênero e meritocracia no campo científico”
Descrição: Pesquisa em torno das tensões entre o princípio meritocrático vigente no campo científico e tecnológico, e a necessidade de implementação de medidas de ação afirmativa para os grupos historicamente excluídos ou discriminados nesse campo (no caso, mulheres). O questionário aplicado versa sobre os motivos pelos quais seria conveniente ou inconveniente criar um comitê de assessoramento multidisciplinar específico para os estudos de gênero nos organismos de fomento à pesquisa (Capes, CNPq etc). A principal hipótese que orienta o estudo ressalta que as acadêmicas consideram não recomendável criar comissões assessoras multidisciplinares específicas para os Estudos de Gênero, porque isso poderia significar a criação de espaços fechados e menos prestigiados no mundo acadêmico. A pesquisa foi realizada conjuntamente pelo NEPeM/UnB e pelo Neim/UFBA. Silvia Cristina Yannoulas (NEPeM) - Coordenadora.
- 2011-2013: “Trabalhadoras invisibilizadas: trabalho, cidadania, saúde, educação e violência”, CNPq
Descrição: A discussão sobre o tema mulher(es) e trabalho sempre pautou os estudos feministas e de gênero, havendo hoje uma extensa bibliografia a respeito. No Brasil, as características históricas da nossa construção enquanto Estado-Nação, da formação étnico-racial do povo e da modelagem da sociedade nos parâmetros da Modernidade trouxeram particularidades à emergência de categorias profissionais e à sua configuração nos dias atuais. Algumas profissões possuem uma dinâmica singular entre homens e mulheres, entre as próprias mulheres, são marcadas por grupos raciais, respondem a fluxos migratórios internos às regiões do país, não acenam com a possibilidade de ascensão social, são transmitidas por meio do saber popular de uma geração a outra, têm direitos trabalhistas reduzidos em comparação às demais categorias e, por fim, são invisibilizadas socialmente, anuladas nas estatísticas econômicas, subsumidas das políticas de desenvolvimento e da historiografia nacional. Dentro desse panorama, encontra-se o principal objetivo desta proposta: investigar vivências e representações sociais dessas mulheres trabalhadoras no Distrito Federal (DF), a partir das temáticas trabalho, cidadania, educação, saúde e violência. Como intuito final desta investigação, pretende-se fornecer subsídios à (re)definição, implantação e implementação de ações do II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres e à possível elaboração do III Plano no próximo ano. A escolha de quatro categorias profissionais trabalhadoras domésticas, garis, serviços gerais e de construção civil - foi motivada pela busca de se estudar grupos de mulheres que se inserem no mundo do trabalho por meio de ofícios situados dentro ou próximos ao âmbito privado, além de lidarem com práticas laborais vistas, no geral, como ofícios de menor valor sócio-econômico, político e histórico, designadas tradicionalmente por meros desdobramentos da essência feminina, devoção e missão espontânea das mulheres. Tânia Mara Campos de Almeida – Coordenadora. Financiador(es): Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
- Uma experiência histórica – atuação da Secretaria de Políticas para a Mulher – SPM”, 2003-2016. Responsáveis - Lourdes M. Bandeira (NEPeM/UnB) e Hildete Melo (GT Gênero/UFF)
Descrição: Trata-se de uma pesquisa em parceria que busca refletir sobre o significado, a importância da participação das mulheres na construção/formulação de uma política nacional de gênero; demarcar e refletir sobre os enfrentamentos e resistências diversas assim como os avanços inéditos que o movimento de mulheres e o feminismo ascendeu junto às políticas públicas no governo por mais de uma década.
- FEMIVIDA. Responsável: Ana Paula Antunes. Grupo de pesquisa com pretensão de reivindicar e realizar averiguações empíricas, de cunhos qualitativo e quantitativo, para subsidiar demandas relacionadas à violência contra mulheres, nos mais diversos contextos, com destaque para esses acontecimentos no ambiente universitário. Tópicos de programa: Percepções sobre a violência contra as mulheres no Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília;
- Inovações e Resistências Jurídicas: entre o gênero e a honra. Responsável: Lia Zanotta Machado. Coordenação e realização da pesquisa e da análise de dados, incorporando orientandas de graduação e mestrado da área de Direito. 2017.
Descrição: Uma das novidades da Lei Maria da Penha, é a introdução do conceito de violência baseada em gênero e outra, a interação do sistema jurídico com sistemas de atendimento a vítimas e de encaminhamento a agressores a grupos de reflexão social. O projeto busca analisar 1) como o sistema jurídico está introduzindo o conceito de violência baseada em gênero. A LMP inova ao confrontar a ideia de delitos passionais baseados nos significados históricos dicotômicos de honra masculina e de honra feminina. Institui o conceito de violência baseada em gênero e com isso a necessidade de entendimento de poder nas relações de gênero. A questão é se há ou não entendimento pelos operadores de justiça de poder e hierarquia de gênero no domínio familiar e afetivo, ou se os conflitos são entendidos como vingança equivalente de mão dupla a partir de interpretações dogmáticas. Junto aos juizados especializados em violência doméstica contra as mulheres operam equipes multidisciplinares e de Serviços Psicossociais, e há encaminhamento para redes de atenção sociopsicológicas. O projeto busca assim também analisar 2) como o sistema jurídico está incorporando os conhecimentos das ciências psi e sociais, buscando saber se incorre ou não numa possível perversão denunciada por Foucault (2010) do encontro do saber jurídico e do saber psiquiátrico, na produção do “anormal”. Busca-se verificar se há ou não uma patologização quer do agressor quer da vítima. Busca-se analisar e comparar três juizados no Distrito Federal que se declaram aderir ao espírito da Lei no objetivo de enfrentar e combater a violência baseada em gênero.
- 2019 - Igrejas e movimentos cristãos defensores dos direitos humanos e em confronto com a ortodoxia religiosa na América Latina, Responsável: Tânia Mara Campos de Almeida.
Descrição: A confluência entre movimentos religiosos cristãos, inovadores e críticos às estruturas patriarcal, heteronormativa, racista, capitalista e branca, com a defesa dos Direitos Humanos é pouco conhecida no cenário sociopolítico atual, em que igrejas e grupos neoconservadores e fundamentalistas com grande capacidade de mobilização de massas atraem a atenção da sociedade e da academia latino-americana. Há pouca bibliografia a respeito de releituras bíblicas que fundamentam teologias feministas e inclusivas de LGBTQIs. Essas vertentes cristãs possuem uma dinâmica singular em suas apresentações no âmbito público, ora se confundem com movimentos sociais e de protesto ora com simples expressões espirituais, situando-se à margem de habituais identidades políticas. O objetivo geral desta proposta é, portanto, investigar os discursos e as ações de igrejas e movimentos religiosos críticos à ordem estabelecida e à visão hegemônica do cristianismo, bem como as vivências e representações de suas lideranças, a partir de temas relacionados à cidadania das mulheres e de LGBTQIs na América Latina, em particular no Brasil.
- 2021- 2022 - Diagnóstico e análise dos metadados do Banco Nacional de Dados do Poder Judiciário DATAJUD sobre Medidas Protetivas de Urgência (Lei 11.340/2006, Lei Maria da Penha). A pesquisa se insere no âmbito do Termo de Cooperação firmado entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Instituto Avon, os quais compartilham a coordenação do projeto com o Consórcio Lei Maria da Penha pelo enfrentamento a todas as formas de violência de gênero contra as mulheres. Ela Wiecko, individualmente, e o NEPeM integram o Consórcio. https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2022/08/relatorio-avaliacao-medidas-protetivas-lei-maria-da-penha-23082022.pdf